Rádio CN Agitos

sábado, 16 de maio de 2015

Exercícios podem elevar em 5 anos expectativa de vida de idosos, diz estudo.

Segundo o estudo, os benefícios trazidos pela atividade física podem ser tão eficientes quanto parar de fumar
Segundo o estudo, os benefícios trazidos pela atividade física podem ser tão eficientes quanto parar de fumar
Que fazer exercícios só traz benefícios para sua vida não é novidade para ninguém. Mas um estudo recente quantifica esse benefício de uma maneira que deve fazer com que muita gente coloque um tênis e saia para caminhar no parque.
Pesquisadores da Universidade de Oslo concluíram que se exercitar pode aumentar em até cinco anos a expectativa de vida de um idoso. Mais do que isso, pode ser tão eficiente quanto parar de fumar.

Os pesquisadores acompanharam 5.700 noruegueses, com idades entre 68 e 77 anos, durante 12 anos. E uma das conclusões do estudo foi a de que os idosos que praticavam ao menos três horas de atividades físicas por semana viveram cerca de cinco anos a mais do que os sedentários.

Assim, a prática de meia hora de exercícios seis dias por semana está ligada a uma redução de 40% no risco de morte em idosos.

Publicado no "British Journal of Sports Medicine", o estudo mostrou que qualquer tipo de exercício - seja leve ou intenso - tem impacto na expectativa de vida.

No entanto, o estudo mostrou que fazer menos de uma hora de exercício leve por semana não tem nenhum impacto.
A recomendação do governo britânico é a de que pessoas com mais de 65 anos façam pelo menos 140 minutos de exercícios moderados por semana.
Os pesquisadores sugeriram que as autoridades invistam em campanhas para combater o sedentarismo e encorajar atividades físicas entre idosos.
"Estratégias públicas de saúde deveriam incentivar idosos a fazerem atividades físicas, da mesma maneira que há campanhas contra o tabagismo", disseram os pesquisadores. "Exercitar-se é tão útil para reduzir mortes como parar de fumar."

Sedentarismo

A pesquisa da Universidade de Oslo vem à tona no momento em que a ONG britânica British Heart Foundation está fazendo um alerta a respeito de como o número de pessoas ativas está muito aquém do esperado.
"Fazer atividades físicas regulares, seja em que idade for, é benéfico para a saúde de seu coração e isso faz você viver mais tempo", disse Julie Ward, da British Heart Foundation.

"No entanto, nossas últimas estatísticas mostram que quase metade das pessoas no Reino Unidos não fazem nenhum tipo de exercício - um cenário muito pior do que em muitos outros países europeus."

"Nossa mensagem é: qualquer 10 minutos de exercício conta. Então simplifique e mude sua rotina para ter uma vida mais ativa."

Segundo o levantamento da ONG, 69% dos adultos não fazem exercícios em Portugal, 55% na Polônia, 46% na França, 44% no Reino Unido, 34% na Croácia, 26% na Alemanha e 14% na Holanda.

Cenário brasileiro

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 48,7% das pessoas com mais de 18 anos não são suficientemente ativos. A meta do ministério é reduzir esse percentual para 10% até 2025.
Segundo a OMS, 3,2 milhões de mortes são atribuídas todos os anos à atividade física insuficiente. O sedentarismo é o quarto maior fator de risco de mortalidade global e está ligado a doenças crônicas como câncer, hipertensão, diabetes e obesidade.

Mais especificamente, o sedentarismo é responsável por pelo menos 21% dos casos de tumores malignos na mama e no cólon, assim como 27% dos registros de diabetes e 30% das doenças cardíacas.

sábado, 9 de maio de 2015

Pessoas ficam mais inteligentes com a idade, mostra estudo.


Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente Por trás de todos os elogios forçados dirigidos aos mais velhos – esperto, astuto, sábio – está um reconhecimento de um fato que os cientistas não conseguem qualificar com facilidade: as faculdades mentais que melhoram com a idade.
O conhecimento é muito importante, claro. As pessoas que estão além da meia-idade tendem a saber mais do que os jovens, só pelo fato de terem vivido mais tempo, e se saem melhor em testes de vocabulário, palavras cruzadas e outras aferições de inteligência permanente.
Ainda assim, os jovens que pedem conselhos aos mais velhos (a maioria desesperados) não o fazem apenas para conseguir informações, terminar as palavras cruzadas ou usar o cartão de crédito deles. Nem, normalmente, estão procurando ajuda para resolver um problema que envolva memória de curto prazo ou para completar um quebra-cabeça. Esse tipo de habilidade, chamada inteligência fluida, tem seu pico na faixa dos 20 anos.
Não, os cérebros mais velhos oferecem algo a mais, de acordo com um novo artigo do periódico Psychology Science. Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente.
Os pós-doutorandos Joshua Hartshorne, do MIT, e Laura Germine, de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, analisaram uma imensa coleção de resultados de testes cognitivos feitos por pessoas de todas as idades. Os pesquisadores descobriram que uma divisão do tipo de cognição em relação à idade – fluida nos mais jovens e cristalizada nos mais velhos – escondia nuances importantes.
"Essa dicotomia em relação aos picos dos mais jovens e dos mais velhos é muito rasteira. Há muitos outros padrões acontecendo e precisamos levá-los em conta para entender de verdade os efeitos da idade na cognição", avisa Hartshorne.
O novo artigo não é o primeiro desafio para a literatura científica sobre o declínio relacionado à idade e não será o último. Um ano atrás, pesquisadores alemães afirmaram que os "déficits" cognitivos da idade eram causados principalmente devido ao acúmulo de conhecimento – ou seja, o cérebro fica mais lento porque precisa fazer a busca em uma maior biblioteca mental de fatos. Essa ideia causou debate entre os cientistas.
Os especialistas afirmaram que a nova análise levanta outra questão: existem elementos diferentes e independentes da memória e da cognição que têm seu auge em períodos distintos da vida?
"Acho que eles têm que trabalhar mais para demonstrar que esse é o caso, mas esse é um artigo provocativo e vai causar impacto nesse campo", avisa Denise Park, professora de Comportamento e Ciências do Cérebro da Universidade do Texas, em Dallas.
A força da nova pesquisa está parcialmente em seus números. O estudo avaliou resultados históricos do popular teste de inteligência Wechsler e os comparou com resultados recentes de testes cognitivos curtos feitos por dezenas de milhares de pessoas nos sites dos autores, testmybrain.org e gamewithwords.org. O único problema desse tipo de abordagem é que, como eles não seguiram as mesmas pessoas durante um longo tempo, a pesquisa pode ter deixado de lado o efeito de experiências culturais diferentes, afirma K. Warner Shaie, pesquisador da Universidade Estadual da Pensilvânia.
Porém, a maioria dos estudos anteriores não foram tão grandes nem tiveram a mesma abrangência de idades. Os participantes dos sites estavam entre 10 e 89 anos e fizeram uma grande bateria de testes que mediam habilidades como memória para símbolos abstratos e sequências de dígitos, solução de problemas e facilidade para ler emoções nos olhos de pessoas desconhecidas.
Tão importante quanto a abrangência foi o fato de os cientistas procurarem o efeito da idade em cada tipo de teste. Pesquisas anteriores normalmente agrupavam testes similares, assumindo que eles capturavam um atributo básico comum, da mesma maneira que um treinador dá nota para a capacidade atlética de alguém baseado na velocidade, força e habilidade de saltar.
Qual foi o resultado da nova abordagem? "Encontramos habilidade diferentes amadurecendo em idades diversas. É uma imagem muito mais rica do tempo de vida do que apenas chamar de envelhecimento", diz Laura.
A velocidade de processamento de informações – a rapidez com que cada pessoa manipula números, palavras ou imagens, como se usasse um bloco de rascunhos mental – geralmente chega ao auge no final da adolescência, confirmaram Laura e Hartshorne, e a memória para algumas coisas, como nomes, chega ao pico aos 20 e poucos anos. Mas a capacidade daquele bloco de rascunho mental, chamado memória de trabalho, atinge seu melhor momento pelo menos uma década depois e demora para entrar em declínio. As habilidades para lembrar de rostos e fazer contas de cabeça, principalmente, chegaram ao auge aos 30 anos, segundo o estudo, "algo difícil de assimilar usando a dicotomia entre inteligências fluida e cristalizada".
Os pesquisadores também analisaram os resultados do teste Lendo a Mente nos Olhos. No exame, as pessoas precisavam olhar para fotos de olhos de desconhecidos em um computador e determinar seu estado de espírito de acordo com um menu com opções como "cauteloso", "inseguro" e "cético".
"Não é um teste fácil, e a pessoa não sabe depois se foi bem ou não. Achei que tinha falhado, mas na verdade fui bem", avisa Laura. Ainda assim as pessoas em seus 40 ou 50 anos consistentemente se saíram melhor, segundo o estudo, e a habilidade decaiu muito devagar em idades mais avançadas.
A imagem que emerge dessas descobertas é a de um cérebro mais velho que se move mais devagar do que quando era jovem, mas que se tornou mais preciso em muitas áreas e mais experiente em ler o humor das outras pessoas – além de ter mais informações. Essa é uma combinação muito prática, já que várias decisões importantes que a pessoa toma afetam intimamente os outros.
Ninguém precisa de um cientista cognitivo para lhe explicar que é melhor pedir um aumento ao chefe quando ele ou ela estão de bom humor. Mas a mente mais velha pode estar mais apta a deixar de lado julgamentos interpessoais errados e se sair bem em situações complicadas.
"Como em 'Essa pessoa não está feliz com seu pensamento rápido e velocidade de processamento – ele está quase batendo em você", diz Zach Hambrick, professor de Psicologia da Universidade Estadual do Michigan.
Os detalhes para essa imagem mais complexa do envelhecimento cerebral não são muito claros, e exames sociais como o teste Lendo a Mente nos Olhos ainda não foram extensivamente usados nesse tipo de pesquisa, afirmam Hambrick e outros especialistas. Além disso, não se chegou a qualquer conclusão na nova pesquisa se as mudanças que acontecem na cognição por causa da idade são resultado de uma causa só – como o declínio da velocidade das transmissões neurais – ou de várias.
Mas, por enquanto, a nova pesquisa pelo menos dá algum significado ao adjetivo vazio "esperto".

sábado, 2 de maio de 2015

Agrotóxicos em 70% dos alimentos no Brasil é visto como “alarmante”.


Produtor, em meio a uma plantação.  


Imagine tomar um galão de cinco litros de veneno a cada ano. É o que os brasileiros consomem de agrotóxico anualmente, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). "Os dados sobre o consumo dessas substâncias no Brasil são alarmantes", disse Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa. Segundo o Dossiê Abrasco - um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, publicado nesta terça-feira no Rio de Janeiro, 70% dos alimentos  in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos. Desses, segundo a Anvisa, 28% contêm substâncias não autorizadas. "Isso sem contar os alimentos processados, que são feitos a partir de grãos geneticamente modificados e cheios dessas substâncias químicas", diz Friederich. De acordo com ela, mais da metade dos agrotóxicos usados no Brasil hoje são banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos.
O uso dessas substâncias está altamente associado à incidência de doenças como o câncer e outras genéticas. Por causa da gravidade do problema, na semana passada, o Ministério Público Federal enviou um documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendando que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica de uma substância chamada glifosato e que a agência determine o banimento desse herbicida no mercado nacional. Essa mesma substância acaba de ser associada ao surgimento de câncer, segundo um estudo publicado em março deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) juntamente com o Inca e a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Ao mesmo tempo, o glifosato foi o ingrediente mais vendido em 2013 segundo os dados mais recentes do Ibama.
Em resposta ao pedido do Ministério Público, a Anvisa diz que em 2008 já havia determinado a reavaliação do uso do glifosato e outras substâncias, impulsionada pelas pesquisas que as associam à incidência de doenças na população. Em nota, a Agência diz que naquele ano firmou um contrato com a Fiocruz para elaborar as notas técnicas para cada um dos ingredientes - 14, no total. A partir dessas notas, foi estabelecida uma ordem de análise dos ingredientes "de acordo com os indícios de toxicidade apontados pela Fiocruz e conforme a capacidade técnica da Agência".
Enquanto isso, essas substâncias são vendidas e usadas livremente no Brasil. O 24D, por exemplo, é um dos ingredientes do chamado 'agente laranja', que foi pulverizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, e que deixou sequelas em uma geração de crianças que, ainda hoje, nascem deformadas, sem braços e pernas. Essa substância tem seu uso permitido no Brasil e está sendo reavaliada pela Anvisa desde 2006. Ou seja, faz quase dez anos que ela está em análise inconclusa.
O que a Justiça pede é que os ingredientes que estejam sendo revistos tenham o seu uso e comércio suspensos até que os estudos sejam concluídos. Mas, embora comprovadamente perigosos, existe uma barreira forte que protege a suspensão do uso dessas substâncias no Brasil. "O apelo econômico no Brasil é muito grande", diz Friedrich. "Há uma pressão muito forte da bancada ruralista e da indústria do agrotóxico também". Fontes no Ministério Público disseram ao EL PAÍS que, ainda que a Justiça determine a suspensão desses ingredientes, eles só saem de circulação depois que os fabricantes esgotam os estoques.

sábado, 18 de abril de 2015

Negligenciadas, doenças do coração são as que mais matam mulheres Comente.


Atenção, mulheres, especialmente as jovens: você consegue salvar seu coração?
Apesar de serem vistos há muito tempo como doenças masculinas, os problemas no coração afetam o mesmo número de mulheres e de homens, só que elas tendem a desenvolver e morrer da doença cerca de dez anos depois deles. E, mesmo que as mortes por problemas coronários tenham diminuído ao todo, há sinais de que a doença, seus precursores e suas consequências potencialmente fatais estejam aumentando entre as jovens.
Um estudo de 2007 se referia ao aumento dos fatores de risco cardiovasculares entre as mulheres mais jovens como "o início de uma tempestade que está se formando".
Enquanto muitas mulheres se preocupam com o câncer, apenas um pouco mais da metade se dá conta de que as doenças cardíacas são a primeira causa de morte entre elas, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Mais mulheres nos Estados Unidos morrem de causas cardiovasculares – doenças do coração e derrames – do que de todas as formas de câncer combinadas.
Várias campanhas da Associação Americana do Coração e de outras organizações aumentaram a conscientização entre as mulheres sobre os riscos autoinflingidos e os sintomas, que são tipicamente muito mais sutis nas mulheres do que nos homens.
"Mesmo que acreditem que estão tendo um ataque cardíaco, 36% das mulheres não chamam a ambulância", afirma a doutora Holly S. Andersen, diretora de educação e alcance do Instituto do Coração Perelman da Universidade de Medicina Weill Cornell, citando a última pesquisa nacional da associação do coração.
Em vez de ter uma dor forte no peito, as mulheres que começam a ter um ataque do coração normalmente sentem um desconforto no pescoço, na mandíbula e nos ombros, na parte de cima das costas ou abdômen, tontura, náusea, dor no braço direito, dificuldades para respirar e suor ou cansaço incomum. Quase dois terços das mulheres que morrem subitamente de ataque cardíaco não tiveram qualquer sintoma anterior.
Os médicos geralmente falham na hora de levar a sério os riscos nas mulheres e tratá-los agressivamente ou na hora de repassar recomendações adequadas de prevenção, afirmam Holly e outros especialistas. "Isso é especialmente verdadeiro para mulheres jovens", diz ela. No entanto, "nas mulheres com idades entre 29 e 45 anos, parece que a incidência das doenças do coração está aumentando".
Existem muitas razões. Estresse, por exemplo, é um fator de risco conhecido e não comumente citado, "e as mulheres mais jovens nos EUA estão mais estressadas do que nunca. Elas estão sempre ligadas e se autocomparando", confirma Holly.
Fumar – maconha assim como cigarros – é um risco para as coronárias. E, apesar de o hábito ter diminuído entre mulheres mais velhas, "as mais novas são as que continuam fumando", conta Holly. As que tomam pílulas anticoncepcionais e fumam correm o maior risco.
Os números de dois outros fatores importantes, obesidade e diabetes, estão crescendo mais do que em qualquer outra época, especialmente entre mulheres hispânicas nascidas nos Estados Unidos, metade das quais desenvolve diabetes por volta dos 70 anos.
"Somos bons em tratar doenças cardíacas, mas estamos falhando na prevenção", explica Holly. Como notou a doutora Nanette K. Wenger, professora emérita da Escola de Medicina da Universidade Emory, em 2010, o contínuo declínio de mortes por doenças do coração entre mulheres desde 2000 aconteceu mais por causa dos cuidados do que da prevenção.
"Uma necessidade importante que ainda não resolvemos é a conscientização entre as jovens, o grupo de mulheres que se preocupa menos em ter comportamentos preventivos", escreveu ela. E, décadas atrás, descobriu-se que as doenças do coração se originavam na adolescência e no começo dos 20 anos e pioravam gradualmente, ao menos que outras medidas preventivas fossem tomadas.
Quando mulheres com altos níveis de colesterol LDL, prejudicial às artérias, começam a tomar estatinas, o tratamento normalmente dá uma "falsa segurança" de que o remédio "pode compensar por escolhas de alimentação erradas e uma vida sedentária", escreveu a doutora Rita F. Redberg, cardiologista e editora do JAMA Internal Medicine no ano passado. Em uma pesquisa, ela cita que "as mulheres que usam estatinas aumentaram significativamente o consumo de gordura e calorias, junto com seu IMC (Índice de Massa Corporal), na última década. A pessoa que mantém seu foco nos níveis de colesterol pode não se preocupar com os benefícios que levar uma vida saudável trazem na hora de reduzir o risco de doenças cardíacas".
Uma dieta rica em frutas e vegetais, que contêm antioxidantes naturais que as estatinas não fornecem, é mais importante, diz Holly. "Assim como fazer exercícios aeróbicos regulares, passar tempo com os amigos e dormir bem – de seis a oito horas. A falta de sono crônica dobra o risco de doenças do coração."
Esse risco também é maior entre mulheres que têm mais gordura em volta do abdômen – o chamado corpo de maçã. A gordura abdominal é metabolicamente ativa e pode resultar em aumento da pressão arterial e diabetes, mesmo que a mulher seja magra em outras partes do corpo.
"O tamanho da cintura é mais importante do que o IMC", explica Holly,
Depressão e falta de suporte social, mais comum entre mulheres mais velhas, também estão entre os riscos não levados em conta. "O isolamento social é prejudicial. Mulheres que regularmente passam seu tempo com amigos próximos vivem mais e têm menos problemas do coração."
Um visão positiva da vida – rir muito, ter senso de humor, ser otimista – também tem efeito protetor, enumera Holly.
Apesar de o "estresse matrimonial aumentar o risco de a mulher ter uma doença do coração", viver ao lado de um parceiro compatível ou de um animal de estimação faz bem, avisa ela.
Há vários fatores que as mulheres experimentam no início da vida, especialmente duas condições relacionadas com a gravidez – pré-eclâmpsia e diabetes gestacional – que estão ligados ao aumento do risco de problemas coronários anos depois.
Duas outras condições que ocorrem mais com mulheres jovens podem ser o motivo de sintomas normalmente negligenciados por elas e por seus médicos como possivelmente ligados a ataques cardíacos. Mulheres têm mais tendência a desenvolver bloqueios nas pequenas veias que alimentam o coração, que podem causar pressão e aperto no peito em vez de uma dor excruciante, de acordo com o Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue.
Elas também estão mais sujeitas à "síndrome do coração partido" causada por eventos como a morte súbita de uma pessoa querida, perda de emprego ou dinheiro, divórcio, um acidente grave, desastre natural ou mesmo uma festa surpresa. A reação ao estresse intenso pode resultar em dor no peito e dificuldades para respirar que, embora temporárias, parecem um ataque do coração, mas raramente o causam.

sábado, 11 de abril de 2015

Apenas um em cada quatro brasileiros consome verduras e frutas suficientes diz estudo.


Apenas 24,1% dos brasileiros ingere a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A quantidade recomendada é de 400 gramas diários, em cinco ou mais dias da semana. Entre os homens, o percentual verificado pela pesquisa é ainda menor: apenas 19,3% atendem às recomendações. Entre as mulheres, o consumo atinge 28,3% do total. 
Os dados, que fazem parte da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014, foram divulgados hoje (7) pelo Ministério da Saúde.
O estudo mostra ainda que 29,4% da população ainda consomem carne com excesso de gordura. Os homens ingerem duas vezes mais: 38,4%. Entre as mulheres o índice é 21,7%. Os números indicam também que o brasileiro tem diminuído a ingestão de refrigerante – item que caiu 20% nos últimos seis anos. Entretanto, mais de 20% da população ainda tomam desse tipo bebida cinco vezes ou mais na semana.
Em relação aos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, o Vigitel mostrou que o consumo regular do feijão em cinco ou mais dias da semana está presente em uma escala correspondente a 66% da população. O percentual foi maior entre os homens – 73% – ao passo que, entre as mulheres, o consumo de feijão equivale a 61%.

domingo, 5 de abril de 2015

Pessoas ficam mais inteligentes com a idade, mostra estudo.

Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente

  • Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente
Por trás de todos os elogios forçados dirigidos aos mais velhos – esperto, astuto, sábio – está um reconhecimento de um fato que os cientistas não conseguem qualificar com facilidade: as faculdades mentais que melhoram com a idade.
O conhecimento é muito importante, claro. As pessoas que estão além da meia-idade tendem a saber mais do que os jovens, só pelo fato de terem vivido mais tempo, e se saem melhor em testes de vocabulário, palavras cruzadas e outras aferições de inteligência permanente.
Ainda assim, os jovens que pedem conselhos aos mais velhos (a maioria desesperados) não o fazem apenas para conseguir informações, terminar as palavras cruzadas ou usar o cartão de crédito deles. Nem, normalmente, estão procurando ajuda para resolver um problema que envolva memória de curto prazo ou para completar um quebra-cabeça. Esse tipo de habilidade, chamada inteligência fluida, tem seu pico na faixa dos 20 anos.
Não, os cérebros mais velhos oferecem algo a mais, de acordo com um novo artigo do periódico Psychology Science. Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente.
Os pós-doutorandos Joshua Hartshorne, do MIT, e Laura Germine, de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, analisaram uma imensa coleção de resultados de testes cognitivos feitos por pessoas de todas as idades. Os pesquisadores descobriram que uma divisão do tipo de cognição em relação à idade – fluida nos mais jovens e cristalizada nos mais velhos – escondia nuances importantes.
"Essa dicotomia em relação aos picos dos mais jovens e dos mais velhos é muito rasteira. Há muitos outros padrões acontecendo e precisamos levá-los em conta para entender de verdade os efeitos da idade na cognição", avisa Hartshorne.
O novo artigo não é o primeiro desafio para a literatura científica sobre o declínio relacionado à idade e não será o último. Um ano atrás, pesquisadores alemães afirmaram que os "déficits" cognitivos da idade eram causados principalmente devido ao acúmulo de conhecimento – ou seja, o cérebro fica mais lento porque precisa fazer a busca em uma maior biblioteca mental de fatos. Essa ideia causou debate entre os cientistas.
Os especialistas afirmaram que a nova análise levanta outra questão: existem elementos diferentes e independentes da memória e da cognição que têm seu auge em períodos distintos da vida?
"Acho que eles têm que trabalhar mais para demonstrar que esse é o caso, mas esse é um artigo provocativo e vai causar impacto nesse campo", avisa Denise Park, professora de Comportamento e Ciências do Cérebro da Universidade do Texas, em Dallas.
A força da nova pesquisa está parcialmente em seus números. O estudo avaliou resultados históricos do popular teste de inteligência Wechsler e os comparou com resultados recentes de testes cognitivos curtos feitos por dezenas de milhares de pessoas nos sites dos autores, testmybrain.org e gamewithwords.org. O único problema desse tipo de abordagem é que, como eles não seguiram as mesmas pessoas durante um longo tempo, a pesquisa pode ter deixado de lado o efeito de experiências culturais diferentes, afirma K. Warner Shaie, pesquisador da Universidade Estadual da Pensilvânia.
Porém, a maioria dos estudos anteriores não foram tão grandes nem tiveram a mesma abrangência de idades. Os participantes dos sites estavam entre 10 e 89 anos e fizeram uma grande bateria de testes que mediam habilidades como memória para símbolos abstratos e sequências de dígitos, solução de problemas e facilidade para ler emoções nos olhos de pessoas desconhecidas.
Tão importante quanto a abrangência foi o fato de os cientistas procurarem o efeito da idade em cada tipo de teste. Pesquisas anteriores normalmente agrupavam testes similares, assumindo que eles capturavam um atributo básico comum, da mesma maneira que um treinador dá nota para a capacidade atlética de alguém baseado na velocidade, força e habilidade de saltar.
Qual foi o resultado da nova abordagem? "Encontramos habilidade diferentes amadurecendo em idades diversas. É uma imagem muito mais rica do tempo de vida do que apenas chamar de envelhecimento", diz Laura.
A velocidade de processamento de informações – a rapidez com que cada pessoa manipula números, palavras ou imagens, como se usasse um bloco de rascunhos mental – geralmente chega ao auge no final da adolescência, confirmaram Laura e Hartshorne, e a memória para algumas coisas, como nomes, chega ao pico aos 20 e poucos anos. Mas a capacidade daquele bloco de rascunho mental, chamado memória de trabalho, atinge seu melhor momento pelo menos uma década depois e demora para entrar em declínio. As habilidades para lembrar de rostos e fazer contas de cabeça, principalmente, chegaram ao auge aos 30 anos, segundo o estudo, "algo difícil de assimilar usando a dicotomia entre inteligências fluida e cristalizada".
Os pesquisadores também analisaram os resultados do teste Lendo a Mente nos Olhos. No exame, as pessoas precisavam olhar para fotos de olhos de desconhecidos em um computador e determinar seu estado de espírito de acordo com um menu com opções como "cauteloso", "inseguro" e "cético".
"Não é um teste fácil, e a pessoa não sabe depois se foi bem ou não. Achei que tinha falhado, mas na verdade fui bem", avisa Laura. Ainda assim as pessoas em seus 40 ou 50 anos consistentemente se saíram melhor, segundo o estudo, e a habilidade decaiu muito devagar em idades mais avançadas.
A imagem que emerge dessas descobertas é a de um cérebro mais velho que se move mais devagar do que quando era jovem, mas que se tornou mais preciso em muitas áreas e mais experiente em ler o humor das outras pessoas – além de ter mais informações. Essa é uma combinação muito prática, já que várias decisões importantes que a pessoa toma afetam intimamente os outros.
Ninguém precisa de um cientista cognitivo para lhe explicar que é melhor pedir um aumento ao chefe quando ele ou ela estão de bom humor. Mas a mente mais velha pode estar mais apta a deixar de lado julgamentos interpessoais errados e se sair bem em situações complicadas.
"Como em 'Essa pessoa não está feliz com seu pensamento rápido e velocidade de processamento – ele está quase batendo em você", diz Zach Hambrick, professor de Psicologia da Universidade Estadual do Michigan.
Os detalhes para essa imagem mais complexa do envelhecimento cerebral não são muito claros, e exames sociais como o teste Lendo a Mente nos Olhos ainda não foram extensivamente usados nesse tipo de pesquisa, afirmam Hambrick e outros especialistas. Além disso, não se chegou a qualquer conclusão na nova pesquisa se as mudanças que acontecem na cognição por causa da idade são resultado de uma causa só – como o declínio da velocidade das transmissões neurais – ou de várias.
Mas, por enquanto, a nova pesquisa pelo menos dá algum significado ao adjetivo vazio "esperto".

quarta-feira, 25 de março de 2015

Fruto da Amazônia reduz gordura e é rico em vitamina C, apontam pesquisadores.

Camu-camu (Myrciaria dubia), da família das mirtáceas, é um arbusto da região amazônica, que produz o fruto mais rico em vitamina C do planeta
Camu-camu (Myrciaria dubia), da família das mirtáceas, é um arbusto da região amazônica, que produz o fruto mais rico em vitamina C do planeta
Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) revelou o efeito do fruto do camu-camu na redução de gorduras e açúcar no sangue de adultos saudáveis.
O camu-camu (Myrciaria dubia), da família das mirtáceas, é um arbusto da região amazônica, onde habitualmente cresce nas margens de lagos e rios, e produz o fruto mais rico em vitamina C do planeta.

"Os resultados mostram o potencial benéfico da vitamina C e, especialmente, do camu-camu na saúde, já que esse fruto mostrou ser mais eficiente na redução dos níveis de lipoproteínas que o ácido ascórbico sintético", afirmou a pesquisadora Francisca Souza em comunicado do INPA.

O estudo foi realizado com dois grupos de controle. Um deles recebeu cápsulas da fruta em pó, enquanto ao segundo foram dadas cápsulas com vitamina C sintética.

Os indivíduos do primeiro grupo registraram um aumento notável nos níveis de ácido ascórbico e uma queda significativa dos números de glicemia. No segundo quase não houve um queda nos últimos valores.

De acordo com os encarregados pelo estudo, que pesquisam as propriedades do camu-camu há mais de dez anos, a vitamina C tem uma alta porcentagem de antocianina, uma substância que age como antioxidante e previne doenças cardiovasculares, assim como alguns tipos de câncer.

"O camu-camu apresenta um alto potencial a ser explorado como um alimento funcional (elaborados para cumprir uma função específica) tanto na Amazônia como nos grandes mercados, como Ásia, Europa e Estados Unidos", disse a pesquisadora Lucia Yuyama.

O uso do camu-camu já é comum em nível mundial como complemento nutricional e fitoterapêutico para tratamento da depressão e fortalecimento do sistema imunológico.