Rádio CN Agitos

sábado, 18 de abril de 2015

Negligenciadas, doenças do coração são as que mais matam mulheres Comente.


Atenção, mulheres, especialmente as jovens: você consegue salvar seu coração?
Apesar de serem vistos há muito tempo como doenças masculinas, os problemas no coração afetam o mesmo número de mulheres e de homens, só que elas tendem a desenvolver e morrer da doença cerca de dez anos depois deles. E, mesmo que as mortes por problemas coronários tenham diminuído ao todo, há sinais de que a doença, seus precursores e suas consequências potencialmente fatais estejam aumentando entre as jovens.
Um estudo de 2007 se referia ao aumento dos fatores de risco cardiovasculares entre as mulheres mais jovens como "o início de uma tempestade que está se formando".
Enquanto muitas mulheres se preocupam com o câncer, apenas um pouco mais da metade se dá conta de que as doenças cardíacas são a primeira causa de morte entre elas, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Mais mulheres nos Estados Unidos morrem de causas cardiovasculares – doenças do coração e derrames – do que de todas as formas de câncer combinadas.
Várias campanhas da Associação Americana do Coração e de outras organizações aumentaram a conscientização entre as mulheres sobre os riscos autoinflingidos e os sintomas, que são tipicamente muito mais sutis nas mulheres do que nos homens.
"Mesmo que acreditem que estão tendo um ataque cardíaco, 36% das mulheres não chamam a ambulância", afirma a doutora Holly S. Andersen, diretora de educação e alcance do Instituto do Coração Perelman da Universidade de Medicina Weill Cornell, citando a última pesquisa nacional da associação do coração.
Em vez de ter uma dor forte no peito, as mulheres que começam a ter um ataque do coração normalmente sentem um desconforto no pescoço, na mandíbula e nos ombros, na parte de cima das costas ou abdômen, tontura, náusea, dor no braço direito, dificuldades para respirar e suor ou cansaço incomum. Quase dois terços das mulheres que morrem subitamente de ataque cardíaco não tiveram qualquer sintoma anterior.
Os médicos geralmente falham na hora de levar a sério os riscos nas mulheres e tratá-los agressivamente ou na hora de repassar recomendações adequadas de prevenção, afirmam Holly e outros especialistas. "Isso é especialmente verdadeiro para mulheres jovens", diz ela. No entanto, "nas mulheres com idades entre 29 e 45 anos, parece que a incidência das doenças do coração está aumentando".
Existem muitas razões. Estresse, por exemplo, é um fator de risco conhecido e não comumente citado, "e as mulheres mais jovens nos EUA estão mais estressadas do que nunca. Elas estão sempre ligadas e se autocomparando", confirma Holly.
Fumar – maconha assim como cigarros – é um risco para as coronárias. E, apesar de o hábito ter diminuído entre mulheres mais velhas, "as mais novas são as que continuam fumando", conta Holly. As que tomam pílulas anticoncepcionais e fumam correm o maior risco.
Os números de dois outros fatores importantes, obesidade e diabetes, estão crescendo mais do que em qualquer outra época, especialmente entre mulheres hispânicas nascidas nos Estados Unidos, metade das quais desenvolve diabetes por volta dos 70 anos.
"Somos bons em tratar doenças cardíacas, mas estamos falhando na prevenção", explica Holly. Como notou a doutora Nanette K. Wenger, professora emérita da Escola de Medicina da Universidade Emory, em 2010, o contínuo declínio de mortes por doenças do coração entre mulheres desde 2000 aconteceu mais por causa dos cuidados do que da prevenção.
"Uma necessidade importante que ainda não resolvemos é a conscientização entre as jovens, o grupo de mulheres que se preocupa menos em ter comportamentos preventivos", escreveu ela. E, décadas atrás, descobriu-se que as doenças do coração se originavam na adolescência e no começo dos 20 anos e pioravam gradualmente, ao menos que outras medidas preventivas fossem tomadas.
Quando mulheres com altos níveis de colesterol LDL, prejudicial às artérias, começam a tomar estatinas, o tratamento normalmente dá uma "falsa segurança" de que o remédio "pode compensar por escolhas de alimentação erradas e uma vida sedentária", escreveu a doutora Rita F. Redberg, cardiologista e editora do JAMA Internal Medicine no ano passado. Em uma pesquisa, ela cita que "as mulheres que usam estatinas aumentaram significativamente o consumo de gordura e calorias, junto com seu IMC (Índice de Massa Corporal), na última década. A pessoa que mantém seu foco nos níveis de colesterol pode não se preocupar com os benefícios que levar uma vida saudável trazem na hora de reduzir o risco de doenças cardíacas".
Uma dieta rica em frutas e vegetais, que contêm antioxidantes naturais que as estatinas não fornecem, é mais importante, diz Holly. "Assim como fazer exercícios aeróbicos regulares, passar tempo com os amigos e dormir bem – de seis a oito horas. A falta de sono crônica dobra o risco de doenças do coração."
Esse risco também é maior entre mulheres que têm mais gordura em volta do abdômen – o chamado corpo de maçã. A gordura abdominal é metabolicamente ativa e pode resultar em aumento da pressão arterial e diabetes, mesmo que a mulher seja magra em outras partes do corpo.
"O tamanho da cintura é mais importante do que o IMC", explica Holly,
Depressão e falta de suporte social, mais comum entre mulheres mais velhas, também estão entre os riscos não levados em conta. "O isolamento social é prejudicial. Mulheres que regularmente passam seu tempo com amigos próximos vivem mais e têm menos problemas do coração."
Um visão positiva da vida – rir muito, ter senso de humor, ser otimista – também tem efeito protetor, enumera Holly.
Apesar de o "estresse matrimonial aumentar o risco de a mulher ter uma doença do coração", viver ao lado de um parceiro compatível ou de um animal de estimação faz bem, avisa ela.
Há vários fatores que as mulheres experimentam no início da vida, especialmente duas condições relacionadas com a gravidez – pré-eclâmpsia e diabetes gestacional – que estão ligados ao aumento do risco de problemas coronários anos depois.
Duas outras condições que ocorrem mais com mulheres jovens podem ser o motivo de sintomas normalmente negligenciados por elas e por seus médicos como possivelmente ligados a ataques cardíacos. Mulheres têm mais tendência a desenvolver bloqueios nas pequenas veias que alimentam o coração, que podem causar pressão e aperto no peito em vez de uma dor excruciante, de acordo com o Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue.
Elas também estão mais sujeitas à "síndrome do coração partido" causada por eventos como a morte súbita de uma pessoa querida, perda de emprego ou dinheiro, divórcio, um acidente grave, desastre natural ou mesmo uma festa surpresa. A reação ao estresse intenso pode resultar em dor no peito e dificuldades para respirar que, embora temporárias, parecem um ataque do coração, mas raramente o causam.

sábado, 11 de abril de 2015

Apenas um em cada quatro brasileiros consome verduras e frutas suficientes diz estudo.


Apenas 24,1% dos brasileiros ingere a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A quantidade recomendada é de 400 gramas diários, em cinco ou mais dias da semana. Entre os homens, o percentual verificado pela pesquisa é ainda menor: apenas 19,3% atendem às recomendações. Entre as mulheres, o consumo atinge 28,3% do total. 
Os dados, que fazem parte da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014, foram divulgados hoje (7) pelo Ministério da Saúde.
O estudo mostra ainda que 29,4% da população ainda consomem carne com excesso de gordura. Os homens ingerem duas vezes mais: 38,4%. Entre as mulheres o índice é 21,7%. Os números indicam também que o brasileiro tem diminuído a ingestão de refrigerante – item que caiu 20% nos últimos seis anos. Entretanto, mais de 20% da população ainda tomam desse tipo bebida cinco vezes ou mais na semana.
Em relação aos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, o Vigitel mostrou que o consumo regular do feijão em cinco ou mais dias da semana está presente em uma escala correspondente a 66% da população. O percentual foi maior entre os homens – 73% – ao passo que, entre as mulheres, o consumo de feijão equivale a 61%.

domingo, 5 de abril de 2015

Pessoas ficam mais inteligentes com a idade, mostra estudo.

Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente

  • Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente
Por trás de todos os elogios forçados dirigidos aos mais velhos – esperto, astuto, sábio – está um reconhecimento de um fato que os cientistas não conseguem qualificar com facilidade: as faculdades mentais que melhoram com a idade.
O conhecimento é muito importante, claro. As pessoas que estão além da meia-idade tendem a saber mais do que os jovens, só pelo fato de terem vivido mais tempo, e se saem melhor em testes de vocabulário, palavras cruzadas e outras aferições de inteligência permanente.
Ainda assim, os jovens que pedem conselhos aos mais velhos (a maioria desesperados) não o fazem apenas para conseguir informações, terminar as palavras cruzadas ou usar o cartão de crédito deles. Nem, normalmente, estão procurando ajuda para resolver um problema que envolva memória de curto prazo ou para completar um quebra-cabeça. Esse tipo de habilidade, chamada inteligência fluida, tem seu pico na faixa dos 20 anos.
Não, os cérebros mais velhos oferecem algo a mais, de acordo com um novo artigo do periódico Psychology Science. Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente.
Os pós-doutorandos Joshua Hartshorne, do MIT, e Laura Germine, de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, analisaram uma imensa coleção de resultados de testes cognitivos feitos por pessoas de todas as idades. Os pesquisadores descobriram que uma divisão do tipo de cognição em relação à idade – fluida nos mais jovens e cristalizada nos mais velhos – escondia nuances importantes.
"Essa dicotomia em relação aos picos dos mais jovens e dos mais velhos é muito rasteira. Há muitos outros padrões acontecendo e precisamos levá-los em conta para entender de verdade os efeitos da idade na cognição", avisa Hartshorne.
O novo artigo não é o primeiro desafio para a literatura científica sobre o declínio relacionado à idade e não será o último. Um ano atrás, pesquisadores alemães afirmaram que os "déficits" cognitivos da idade eram causados principalmente devido ao acúmulo de conhecimento – ou seja, o cérebro fica mais lento porque precisa fazer a busca em uma maior biblioteca mental de fatos. Essa ideia causou debate entre os cientistas.
Os especialistas afirmaram que a nova análise levanta outra questão: existem elementos diferentes e independentes da memória e da cognição que têm seu auge em períodos distintos da vida?
"Acho que eles têm que trabalhar mais para demonstrar que esse é o caso, mas esse é um artigo provocativo e vai causar impacto nesse campo", avisa Denise Park, professora de Comportamento e Ciências do Cérebro da Universidade do Texas, em Dallas.
A força da nova pesquisa está parcialmente em seus números. O estudo avaliou resultados históricos do popular teste de inteligência Wechsler e os comparou com resultados recentes de testes cognitivos curtos feitos por dezenas de milhares de pessoas nos sites dos autores, testmybrain.org e gamewithwords.org. O único problema desse tipo de abordagem é que, como eles não seguiram as mesmas pessoas durante um longo tempo, a pesquisa pode ter deixado de lado o efeito de experiências culturais diferentes, afirma K. Warner Shaie, pesquisador da Universidade Estadual da Pensilvânia.
Porém, a maioria dos estudos anteriores não foram tão grandes nem tiveram a mesma abrangência de idades. Os participantes dos sites estavam entre 10 e 89 anos e fizeram uma grande bateria de testes que mediam habilidades como memória para símbolos abstratos e sequências de dígitos, solução de problemas e facilidade para ler emoções nos olhos de pessoas desconhecidas.
Tão importante quanto a abrangência foi o fato de os cientistas procurarem o efeito da idade em cada tipo de teste. Pesquisas anteriores normalmente agrupavam testes similares, assumindo que eles capturavam um atributo básico comum, da mesma maneira que um treinador dá nota para a capacidade atlética de alguém baseado na velocidade, força e habilidade de saltar.
Qual foi o resultado da nova abordagem? "Encontramos habilidade diferentes amadurecendo em idades diversas. É uma imagem muito mais rica do tempo de vida do que apenas chamar de envelhecimento", diz Laura.
A velocidade de processamento de informações – a rapidez com que cada pessoa manipula números, palavras ou imagens, como se usasse um bloco de rascunhos mental – geralmente chega ao auge no final da adolescência, confirmaram Laura e Hartshorne, e a memória para algumas coisas, como nomes, chega ao pico aos 20 e poucos anos. Mas a capacidade daquele bloco de rascunho mental, chamado memória de trabalho, atinge seu melhor momento pelo menos uma década depois e demora para entrar em declínio. As habilidades para lembrar de rostos e fazer contas de cabeça, principalmente, chegaram ao auge aos 30 anos, segundo o estudo, "algo difícil de assimilar usando a dicotomia entre inteligências fluida e cristalizada".
Os pesquisadores também analisaram os resultados do teste Lendo a Mente nos Olhos. No exame, as pessoas precisavam olhar para fotos de olhos de desconhecidos em um computador e determinar seu estado de espírito de acordo com um menu com opções como "cauteloso", "inseguro" e "cético".
"Não é um teste fácil, e a pessoa não sabe depois se foi bem ou não. Achei que tinha falhado, mas na verdade fui bem", avisa Laura. Ainda assim as pessoas em seus 40 ou 50 anos consistentemente se saíram melhor, segundo o estudo, e a habilidade decaiu muito devagar em idades mais avançadas.
A imagem que emerge dessas descobertas é a de um cérebro mais velho que se move mais devagar do que quando era jovem, mas que se tornou mais preciso em muitas áreas e mais experiente em ler o humor das outras pessoas – além de ter mais informações. Essa é uma combinação muito prática, já que várias decisões importantes que a pessoa toma afetam intimamente os outros.
Ninguém precisa de um cientista cognitivo para lhe explicar que é melhor pedir um aumento ao chefe quando ele ou ela estão de bom humor. Mas a mente mais velha pode estar mais apta a deixar de lado julgamentos interpessoais errados e se sair bem em situações complicadas.
"Como em 'Essa pessoa não está feliz com seu pensamento rápido e velocidade de processamento – ele está quase batendo em você", diz Zach Hambrick, professor de Psicologia da Universidade Estadual do Michigan.
Os detalhes para essa imagem mais complexa do envelhecimento cerebral não são muito claros, e exames sociais como o teste Lendo a Mente nos Olhos ainda não foram extensivamente usados nesse tipo de pesquisa, afirmam Hambrick e outros especialistas. Além disso, não se chegou a qualquer conclusão na nova pesquisa se as mudanças que acontecem na cognição por causa da idade são resultado de uma causa só – como o declínio da velocidade das transmissões neurais – ou de várias.
Mas, por enquanto, a nova pesquisa pelo menos dá algum significado ao adjetivo vazio "esperto".

quarta-feira, 25 de março de 2015

Fruto da Amazônia reduz gordura e é rico em vitamina C, apontam pesquisadores.

Camu-camu (Myrciaria dubia), da família das mirtáceas, é um arbusto da região amazônica, que produz o fruto mais rico em vitamina C do planeta
Camu-camu (Myrciaria dubia), da família das mirtáceas, é um arbusto da região amazônica, que produz o fruto mais rico em vitamina C do planeta
Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) revelou o efeito do fruto do camu-camu na redução de gorduras e açúcar no sangue de adultos saudáveis.
O camu-camu (Myrciaria dubia), da família das mirtáceas, é um arbusto da região amazônica, onde habitualmente cresce nas margens de lagos e rios, e produz o fruto mais rico em vitamina C do planeta.

"Os resultados mostram o potencial benéfico da vitamina C e, especialmente, do camu-camu na saúde, já que esse fruto mostrou ser mais eficiente na redução dos níveis de lipoproteínas que o ácido ascórbico sintético", afirmou a pesquisadora Francisca Souza em comunicado do INPA.

O estudo foi realizado com dois grupos de controle. Um deles recebeu cápsulas da fruta em pó, enquanto ao segundo foram dadas cápsulas com vitamina C sintética.

Os indivíduos do primeiro grupo registraram um aumento notável nos níveis de ácido ascórbico e uma queda significativa dos números de glicemia. No segundo quase não houve um queda nos últimos valores.

De acordo com os encarregados pelo estudo, que pesquisam as propriedades do camu-camu há mais de dez anos, a vitamina C tem uma alta porcentagem de antocianina, uma substância que age como antioxidante e previne doenças cardiovasculares, assim como alguns tipos de câncer.

"O camu-camu apresenta um alto potencial a ser explorado como um alimento funcional (elaborados para cumprir uma função específica) tanto na Amazônia como nos grandes mercados, como Ásia, Europa e Estados Unidos", disse a pesquisadora Lucia Yuyama.

O uso do camu-camu já é comum em nível mundial como complemento nutricional e fitoterapêutico para tratamento da depressão e fortalecimento do sistema imunológico.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Mundo pode ter só 60% da água que precisa em 2030, diz ONU.

Canal de irrigação recebe apenas um fio de água entre plantações de arroz nos campos de Richvale, na Califórnia
Canal de irrigação recebe apenas um fio de água entre plantações de arroz nos campos de Richvale, na Califórnia
A meio ano da adoção das novas metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), publicou seu mais recente relatório global sobre desenvolvimento dos recursos hídricos. "É especialmente importante destacar mais uma vez, de forma clara, a importância central da água", explica o principal autor do documento, Richard Connor. "A água é um pré-requisito básico para o desenvolvimento sustentável. Isso não é novidade, mas fundamental para o futuro uso da água."
Por isso, a Unesco luta para garantir que a gestão da água, em todas as suas dimensões, seja consagrada como uma das novas metas de desenvolvimento sustentável. Isso não é o caso nos ainda vigentes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo prazo para cumprimento expira este ano. "Eles só tratam de água potável e saneamento básico", lembra Connor.

"Agora vamos fazer pressão para obtermos uma meta ligada à água que inclua não só o acesso à água potável e ao saneamento, mas também a proteção e a gestão adequada dos recursos hídricos como um todo", explica o ambientalista. Assim, o desperdício e a poluição da água devem ser futuramente reduzidos.

Empresas precisam economizar
O abastecimento de água potável é responsável por apenas uma pequena fração do consumo mundial do recurso natural. Embora uma pessoa consuma, em média, dois a três litros por dia, a produção de alimentos para a necessidade diária exige cerca de 3 mil litros de água per capita. A maior parte é consumida mundialmente pela agricultura, seguida por outros setores, como o industrial e de energia.
No relatório atual sobre recursos hídricos, a Unesco acredita que o consumo na indústria irá quadruplicar até 2050, em relação ao ano 2000. Ao mesmo tempo, a agricultura deve produzir mais alimentos para uma crescente população mundial. Segundo o documento, existe a ameaça de que até 2030 haja um deficit de 40% no suprimento global da água, se nada for feito.
"Temos que mudar nossa economia global para formas econômicas que consumam recursos menos intensivamente", diz Sybille Röhrkasten, pesquisadora do Instituto de Estudos Ambientais Avançados, de Potsdam (IASS).
"Não só a agricultura, mas também a indústria e o setor de energia devem ser mais econômicos em relação aos recursos hídricos." A cientista acrescenta que "o relatório deixa claro que precisamos de uma revolução energética global, se quisermos usar os nossos recursos hídricos de forma sustentável".
Decisão política
"Por ser um recurso limitado, devemos sempre pensar em formas de utilizar melhor a água", observa Richard Connor, da Unesco. Assim, ele e seus coautores têm como objetivo principal sensibilizar os decisores políticos para o problema da distribuição hídrica.
"Afinal, as principais decisões não são tomadas por especialistas em água ou gestores de recursos hídricos", constata o cientista ambiental. "As decisões sobre as opções de desenvolvimento são processos políticos envolvendo diferentes departamentos e ministérios, que têm que ser coordenados. Por isso, queremos alcançar os decisores políticos e deixar claro que, em última instância, eles têm que decidir como pode ser distribuída a água, que é um recurso escasso."

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sem glúten, sem lactose e mais: veja como substituir ingredientes em uma dieta restritiva.

Quem adota uma dieta com restrições como glúten, lactose, açúcar e outros sofre para descobrir como substituir esses ingredientes que usou a vida inteira nas suas receitas. Afinal, o que usar e como usar?
A melhor maneira de descobrir é mesmo experimentando. Mas para você, agora, vai ficar bem mais fácil. Isso porque conversamos com uma verdadeira estudiosa no assunto, a 'culinarista' Fernanda Pereira Carneiro. 


[620] Substituio de ingredientes (Foto: GNT)'Nuggets do bem': massa leva frango, ricota, linhaça dourada e amaranto; bolo mousse de chocolate belga com ganache ao cointreau de Laranja, sem glúten e sem lactose (Foto: Reprodução/Instagram)


Fernanda é uma jornalista carioca que trocou blocos e canetas por avental e panelas. A paixão pela culinária sempre existiu, mas o amor pela gastronomia funcional nasceu depois que emagreceu 19kg e sentiu a necessidade de substituir esses ingredientes. Hoje, ela tem uma marca de gastronomia funcional, a Leve-me, e dá aulas e palestras sobre o tema.

"Tudo que aprendi foi na base do teste. Quando posto uma receita, eu já tentei outras formas e a que apresento costuma ser a mais equilibrada quanto se trata de textura e sabor", conta ela, que tem quase 80 mil seguidores em sua conta no Instagram, onde publica todas as suas experiências na cozinha junto com as receitas.

"Cada farinha faz parte de um 'grupo' e age de forma distinta em cada preparo. Em algumas trocas, às vezes é preciso reequilibrar todos os outros ingredientes, como ovos, gordura e etc", avisa. Mas você nem vai precisar, graças às dicas preciosas, abaixo.
Leites vegetais

Podem ser usados no lugar do leite de vaca em várias receitas; o melhor é testar em suas receitas e, de acordo com o seu gosto, adotar o seu leite vegetal preferido.

Bela Gil ensina a fazer o leite de coco caseiro

"Uso bastante o de amêndoas (e outras oleaginosas) e o de coco, mas evito o de arroz por ser menos saboroso e menos espesso", diz Fernanda.

Bela Gil ensina a fazer o leite de amêndoas caseiro

Receita de leite de amndoas da Bela Gil, para o programa que recebe Preta Gil (Foto: Reproduo/GNT)O leite de amêndoas preparado por Bela Gil, no programa em que substitui o leite de vaca em todas as receitas (Foto: Reprodução/GNT)
Farinha de arroz

É a base da grande maioria das receitas. Como ela é uma farinha bem diferente da de trigo e tende a ressecar um pouco as massas, Fernanda ensina que para garantir a leveza e a fofura é recomendado usar algum amido na combinação. "Quando não uso a de arroz, opto pela farinha de amaranto, que tem sabor bem neutro", diz.
Amidos

"Uso bastante a fécula de batata, que pode ser igualmente substituída pelo amido de milho", explica a culinarista. Outros como polvilho doce, azedo ou fécula de mandioca já apresentam textura diferente e não são iguais aos dois primeiros, segundo Fernanda.

"Gosto de combinar um pouco de fécula e polvilho nas massas, mas nunca em grandes quantidades", ensina.
Farinhas de oleaginosas

"Uso bastante a de amêndoas e de macadâmias, por terem sabor mais suave. Quando não acho pronta, eu faço triturando elas até virarem pó", diz Fernanda.

Segundo ela, por terem uma gordura boa, ajudam bastante na textura mais leve, principalmente em bolos sem glúten. Podem ser usadas nozes, pecan, castanha de caju e do Pará, como substituição.
Aveia sem glúten | farinha de linhaça | farinha de chia

São farinhas que, por natureza, sugam um pouco mais os líquidos das receitas, mas também agregam bastante valor nutricional. Combinadas com outras farinhas ficam perfeitas em bolos, biscoitos, massas de quiches e etc.

"No caso da chia e da linhaça, costumo comprar os grãos e triturar na hora, pois elas oxidam rapidamente (cerca de 3 dias) e têm seu sabor alterado (fica mais amargo)", ensina a estudiosa no assunto.
Outras farinhas

"Para pães, tenho usado muito a farinha Teff, que é muito comum na Etiópia e é muito proteica", indica Fernanda. "Adoro também a de grão-de-bico", acrescenta. Segundo a culinarisa, farinha de grão-de-bico e de fava deixam a textura das massas no ponto certo.

Já a farinha de coco deixa a massa mais pesada e ressecada. "Mas se usada em menores quantidades e combinadas a outras farinhas, ela funciona bem", ressalta. A sugestão é usá-la para empanados. "Assim como a farinha de coco, a farinha de berinjela, de maracujá, amêndoas e linhaça também são low carb", avisa.
Manteiga ghee | óleo de coco | óleo de girassol | azeite

"O óleo de coco deixa um sabor residual perceptível, uso somente em algumas combinações. Uso o óleo de girassol, pois é mais neutro, e a manteiga ghee", diz a culinarista.

Bela Gil ensina a fazer a ghee caseira, a manteiga clarificada e sem lactose

Receita de Ghee, manteiga sem lactose, da Bela Gil, para o programa Bela Cozinha (Foto: GNT)Receita de Ghee, manteiga sem lactose, da Bela Gil, para o programa Bela Cozinha (Foto: GNT)


A diferença em bolos, segundo ela, é: se for consumido no mesmo dia ou até dois dias depois, feito com a manteiga ghee fica mais saboroso e com textura mais fofa; porém, quando se usa óleo na preparação, a textura resiste por mais tempo. "Para aquele bolinho que você faz para durar a semana toda, opte pelo óleo de coco ou girassol. Azeite costumo usar muito em preparo de pães e outros salgados", ensina.

Claude Troisgros também já ensinou a preparar a ghee em seu programa
Açúcar demerara | mascavo | de coco | adoçante culinário

Quando se trata de confeitaria, segundo Fernanda Carneiro, o demerara é o mais usado pela sua semelhança estrutural com os refinados, porém sem os malefícios. "Esse açúcar garante que o bolo cresça e tenha estrutura", ensina.

O mascavo é mais bruto e tem um sabor mais intenso de cana, ótimo para caramelizar alguns ingredientes. "Costumo combiná-lo com o demerara em alguns bolos para que o sabor não fique tão caracterÍstico e para que não perca estrutura (quanto utilizado sozinho, principalmente em alguns bolos, a massa tende a crescer um pouquinho menos)", explica.

O açúcar de coco tem o menor índice glicemico dos três, porém age de forma bastante diferente em bolos. As massas costumam perder mais estrutura e ficam mais baixas.

"Pode ser usado sozinho, mas eu sempre uso combinado com o demerara quando faço bolos", conta. Em preparações geladas, como mousses, sorvetes, pudins e etc, ou até mesmo em cookies, cupcakes e doces que não precisam de tanta estrutura, o açúcar de coco pode ser utilizado sozinho, segundo Fernanda.

Já o adoçante culinário tende a ressecar mais as massas e dar menos estrutura a elas. Por isso, geralmente aumentamos um pouco a quantidade de ovos e gordura da receita para equilibrá-la.
Biomassa de banana verde

Usado em cremes para dar ponto de confeitar, devido à sua textura. A biomassa dura de 3 a 6 meses no congelador.

Biomassa de banana verde (Foto: Divulgao/GNT)A consistência da biomassa de banana verde preparada por Bela Gil, em um dos episódio do 'Bela Cozinha' (Foto: Divulgação/GNT)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Música alta pode levar um bilhão de jovens a surdez; saiba como se proteger.

A OMS recomenda não usar fones de ouvido durante mais de uma hora por dia, e a escutar num nível baixo. No volume máximo, ouça por apenas quatro minutos
A OMS recomenda não usar fones de ouvido durante mais de uma hora por dia, e a escutar num nível baixo. No volume máximo, ouça por apenas quatro minutos
O barulho está por toda a parte. Mas a epidemia de ruído dos dias atuais acontece, no entanto, em silêncio. Mais especificamente dentro dos fones de ouvido. Ninguém está a salvo dela, mas o problema, que já se tornou crônico, afeta particularmente os jovens.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que 1,1 bilhão de jovens em todo o mundo correm risco de sofrer perda auditiva devido à exposição ao barulho causada por seus hábitos diários. Nos países desenvolvidos, a situação é tão grave que, de acordo com estimativas, mais de 43 milhões de pessoas, entre 12 e 35 anos, já sofrem de surdez incapacitante.

Em um relatório publicado por ocasião do Dia Internacional do Cuidado Auditivo, comemorado na última terça-feira, 3 de março, a OMS estimou que 50% dessa faixa etária (12 a 35 anos) está exposta a riscos pelo uso excessivo de tocadores de mp3 e smartphones, e 40% pelos níveis de ruído prejudiciais de discotecas e bares. Mas como saber quando estamos causando danos, talvez irreversíveis, a nossos ouvidos?

Especialistas avaliam que 85 decibéis (dB) até 8 horas é o nível máximo de exposição sem riscos a que um ser humano pode se submeter. Esse período de tempo diminui na medida em que a intensidade do som aumenta. 

Não se trata de uma tarefa fácil, especialmente considerando que o volume de dispositivos de áudio pessoais, como tocadores de mp3, pode variar entre 75 dB e 136 dB no nível máximo. O relatório da OMS recomenda, contudo, que as pessoas usem esses aparelhos não mais do que uma hora por dia e a um volume baixo.
Já em discotecas e bares, os níveis de ruído podem variar entre 104 dB e 112 dB. De acordo com os parâmetros determinados pelo órgão da ONU, permanecer mais de 15 minutos nesses locais não é seguro. O mesmo se aplica em instalações esportivas, onde o nível de ruído oscila entre 80 dB e 117 dB.
Segundo médicos, a exposição a esses ambientes provoca cansaço nas células sensoriais auditivas. O resultado é a perda temporária da audição ou acúfeno (sensação de zumbido no ouvido). A capacidade auditiva melhora na medida em que as células se recuperam, mas quando "os sons são muito fortes ou a exposição ocorre regularmente ou de forma prolongada, as células sensoriais e outras estruturas podem ser danificadas permanentemente, causando uma perda irreversível da audição", informa a OMS.

Para se ter uma ideia, uma pessoa que ouve 15 minutos de música a 100 dB está exposta a níveis semelhantes de ruído aos níveis enfrentados por um operário que trabalhe oito horas por dia a 85 dB.

Exposição segura ao som

Segundo a OMS, 85 decibéis (dB) até 8 horas é o nível máximo de exposição sem riscos a que um ser humano pode se submeter. Confira o volume máximo de exposição ao som que a OMS considera seguro:
  • 85 dB: nível de ruído no interior de um carro. Tempo máximo seguro: oito horas.
  • 90 dB: cortador de grama. Tempo máximo seguro: Duas horas e 30 minutos.
  • 95 dB: ruído médio de uma motocicleta. Tempo máximo seguro: 47 minutos.
  • 100 dB: buzina de um carro ou metrô. Tempo máximo seguro: 15 minutos.
  • 105 dB: tocador de mp3 no volume máximo. Tempo máximo seguro: Quatro minutos.
No relatório, a OMS também fez algumas recomendações para quem pretende proteger a audição. São elas:
  • Mantenha o volume baixo. Regule o volume de seu tocador de mp3 para que nunca exceda 60% do volume total. Use tampões de ouvido toda vez que for a um evento onde o ambiente seja extremamente barulhento, como discotecas ou bares.
  • Limite o tempo gasto em atividades barulhentas. A duração da exposição ao ruído é um dos principais fatores por trás da perda de audição. É aconselhável fazer breves descansos auditivos e limitar a uma hora diária o uso de fones de ouvido.
  • Preste atenção aos níveis seguros de exposição ao ruído. Use a tecnologia dos smartphones para ajudá-lo a medir os níveis de exposição.
  • Preste atenção aos primeiros sinais de perda de audição. A OMS recomenda procurar imediatamente um médico se houver dificuldades para ouvir sons agudos, como campainha, telefone ou despertador, ou entender a conversa por telefone e até mesmo em ambientes barulhentos.